MRE – Desvendamos a história deste antigo fabricante nacional de acessórios para Spectrum!

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HISTÓRIA

Alguns conhecerão Joaquim A. Moura Relvas por ser o nome do autor por detrás de livros sobre teoria da electrónica (electrónica digital), mas talvez não o associem à produção de acessórios para o icónico computador dos anos 80, o Zx Spectrum.

Embora este senhor nos tenha deixado a todos no dia 29 de Março de 2017, o Retromania conseguiu chegar à conversa com um dos seus filhos que nos deixou o seu testemunho em exclusivo.

Moura Relvas teve um percurso profissional que de forma progressiva o levaram à electrónica. Passou por empresas como os CTT, até chegar a presidente da EDP, na altura conhecida por União Eléctrica Portuguesa, onde descobriu a sua verdadeira paixão pela electrónica.

Com os conhecimentos técnicos que adquiriu no campo profissional, tinha como hobby inventar produtos que dessem resposta ao que pretendia e que não eram possíveis de encontrar no mercado.

Surge assim a oportunidade de construir um amplificador de som para o Zx Spectrum, acessório que seria o principal responsável por dar origem à MRE em meados de 1983/1984.

O filho e a esposa do Prof. Moura Relvas, foram os principais motores por detrás da formalização da empresa, já que viram potencial comercial nos artigos que este desenvolvia.

O amplificador de som já aqui referido, contou com uma elevada atenção ao detalhe no desenvolvimento do primeiro protótipo, fruto da consciência que o aspeto do produto seria meio caminho andado para alcançar o sucesso comercial.

De forma a cumprir esse objetivo, resolveram procurar uma empresa de moldes de injeção de plástico, para fabricar uma “case” em plástico, personalizada com a marca MRE e encontraram o parceiro ideal, numa empresa situada na localidade de Arcozelo em V.N.Gaia.

A MRE laborava no interior de uma garagem, local que contava com uma linha de produção em série, constituída por membros da família.

Após desenvolverem um protótipo de um joystick para o Spectrum, a família viajou para Lisboa para procurar quem pudesse comercializar o seu produto e foram tentar a sua sorte junto da TRIUDUS.

Após uma pequena demonstração do produto com o jogo Match Point, a Triudus demonstrou interesse em encomendar 600 unidades, desde que esta ficasse com o exclusivo. O tamanho desta primeira encomenda excedeu por completo a expetativa destes empreendedores portuenses.

Apesar da proposta ser tentadora, dar o exclusivo do seu produto, não seria uma decisão sábia para quem ainda agora estava a começar, pelo que decidiram ir bater a mais algumas portas. Depois desta aventura por solo lisboeta, a pequena garagem já não conseguia dar resposta ao número de encomendas.

Para colmatar este problema, foram procurar apoio junto da CATIM – centro de apoio tecnológico à indústria metalomecânica, que auxiliou no fabrico dos acessórios e desenvolveu o software de alguns dos interfaces da MRE.

No final dos anos 80, a empresa direcionou-se para o mercado empresarial, comercializando Zx Spectrums equipados com impressoras, para servirem de sistema P.O.S.

Após o final do reinado do Spectrum, a Moura Relvas criou um gabinete de programação com vista à comercialização de software de gestão para Contabilidade, Salários e Faturação. Este gabinete era composto por programadores/técnicos das linguagens de programação “C” e Clipper para MS-DOS, em conjunto com o motor de base de dados DBase.

Contudo, gradualmente, a empresa foi perdendo clientes, não se adaptando a um mercado cada vez mais exigente a nível tecnológico e por isso acabou por fechar portas por volta de 1997.

Com o encerramento da empresa, Moura Relvas continuou a sua carreira, como professor Universitário na área da electrónica.

Para trás ficou um vasto legado de acessórios para o nosso spectrum, raros de encontrar no mercado de usados e muito apetecíveis pelo mercado colecionista.

ANÁLISE

O amplificador de som, conta com um pormenor delicioso no seu design, ao ser ligado na porta de interface, a entrada de antena fica forçosamente tapada, o que impederia o utilizador de ligar a máquina à tv, mas o acessório conta com uma abertura para o cabo de antena passar através do interface, genial!

Os joysticks da MRE estão disponíveis em 2 cores (azul e vermelho) e em 2 variantes, um modelo com o cabo integrado no interface que não pode ser desconectado e um segundo, com a habitual ficha db9. São robustos e com boa pega, se bem que a ergonomia poderia ser melhor.

Nunca os vimos à venda de forma isolada em lado nenhum e não deixa de ser curioso que estes acessórios da MRE até à data são de uma raridade inexplicável. Talvez sejam os acessórios do spectrum pelos quais nutrimos maior carinho, ainda para mais sendo provenientes de uma empresa nacional e portuense.

Conseguimos colocar também as nossas mãos num modelo de interface de joystick programável, que embora seja de aspecto discreto, não deixa de surpreender quando se liga.

Na frente apenas um botão de reset, ao passo que na traseira, possui além do pass-through que permite adicionar outro acessórios, duas fichas DB9 para ligar até dois joysticks.

Por defeito as portas estão configuradas para o protocolo ‘Sinclair’ mas se quisermos podemos programar uma delas com as teclas do teclado da nossa preferência, mantendo a outra em ‘Sinclair’.

Este interface arranca com a sua própria ROM e permite programar de modo intuitivo e muito fácil, ficando as diagonais logo configuradas com os dois tiros.

Olhando para estes acessórios fabricados pela MRE, sente-se que existiu ali esforço, dedicação e gosto por aquilo que se estava a fazer.

O Spectrum foi uma daquelas máquinas que teve imensos acessórios, entre oficiais e third-party que procuravam aumentar as suas capacidades, colmatar falhas ou simplesmente melhorar a sua usabilidade.

Este artigo, para além de ajudar a documentar e preservar uma parte da história do spectrum em Portugal, é também uma forma do retromania prestar homenagem ao Prof. Moura Relvas, pela sua visão empreendedora e por ter dedicado uma parte importante da sua vida a desenvolver periféricos inéditos, com a sigla Made in Portugal, para o Spectrum de todos nós.

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